A Prefeitura de Manaus capacitou, este ano, um total de 394 agentes públicos com turmas no curso “Cuidador Comunitário”, nas zonas Sul, Oeste, Centro-Sul e Centro-Oeste da cidade, para que desenvolvam habilidades tidas como essenciais no cuidado com os idosos da própria família e da comunidade em que vivem.

As ações foram coordenadas pela Escola de Serviço Público Municipal e Inclusão Socioeducacional (Espi), vinculada à Secretaria Municipal de Administração, Planejamento e Gestão (Semad), em parceria com a Fundação Doutor Thomas (FDT). Durante o ano, seis turmas foram atendidas pelo projeto, que faz parte do Programa de Formação do Cuidador e Atenção ao Idoso da Espi.

A Espi e a FDT estudam a possibilidade de ampliar a oferta em 2019 de vagas, de acordo com a diretora-geral da Espi, Stela Cyrino, devido ao sucesso na procura de inscrições, tendo em vista que as mesmas esgotaram rapidamente. “O curso teve uma adesão muito grande da sociedade, tendo em vista que nós iniciamos a primeira turma com 50 vagas e, no decorrer do ano, as turmas foram sendo ampliadas. A última turma foi finalizada com um total de 114 pessoas certificadas”, declara.

Para a diretora-presidente da FDT, Martha Moutinho, o aumento da longevidade da população brasileira gera uma grande demanda de pessoas da terceira idade que necessitam de cuidados especiais. “Estão surgindo cada vez mais cursos para especialização de cuidador de idosos, e isso é realmente importante, para cuidarmos com qualidade, as pessoas precisam aprimorar seus conhecimentos. A parceria da Fundação Doutor Thomas com a Espi tem dado muito certo”, comemora.

Em 2017, o Ministério dos Direitos Humanos contabilizou mais de 33 mil denúncias de abusos e agressões contra idosos. Para a instrutora do curso, a mestre em serviço social, Darcy Amorim, a capacitação de cuidador comunitário é uma necessidade da sociedade atual.

“É preciso que as famílias se preparem para tratar adequadamente do idoso com base no conhecimento, fazendo o uso de técnicas, e sempre buscando a melhoria da qualidade de vida destas pessoas. Com os elevados índices de violência à pessoa idosa no país, formar cuidadores é lutar em favor da redução desses dados”, afirma.

O conteúdo programático do curso, com carga-horária de 15 horas, abordou noções de direitos humanos, políticas de apoio e discutiu situações recorrentes de violência e maus tratos voltados ao idoso, além de cuidados de higiene pessoal e os aspectos referentes à alimentação.

Quando iniciou a capacitação, a aluna da sexta turma Elisamar Oliveira já trabalhava como cuidadora. “Além de capacitar, o curso nos dá respaldo enquanto profissionais. Quando eu comecei, já cuidava de um idoso, agora estou cuidando de quatro idosos. Tinha uma senhora que não dormia à noite, mas com as técnicas que aprendi aqui e apliquei com ela, consigo fazê-la dormir”, informa. 

A auxiliar de cozinha Regina Santos se interessou pela capacitação porque sentiu necessidade no trato com os idosos da sua casa. “Eu tinha muita vontade de fazer esse curso, porque na minha família há idosos, inclusive uma que tem 104 anos de idade. Além das habilidades técnicas, eu aprendi no curso que o cuidador precisa estar bem consigo mesmo, para repassar o cuidado e o amor necessário”, conta.