Gustavo Bebianno, presidente nacional do PSL, partido de Jair Bolsonaro, disse que, em um eventual governo Bolsonaro, poderá indicar o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato em Curitiba, para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

A declaração foi dada em entrevista ao jornal Estadão, publicada neste domingo (21). “Ter um ministro com o perfil do juiz Sérgio Moro seria muito bom. É um nome que se cogita, sim. Ele é uma pessoa séria, patriota e que quer o bem para o Brasil. Nossa relação com o STF será a melhor possível, harmoniosa”, afirma Bebianno.

O presidente do PSL também falou ao jornal sobre como será a atuação do partido na Câmara. A sigla elegeu no dia sete de outubro 52 deputados federais, a segunda maior bancada, atrás apenas do PT, que conquistou 56 cadeiras.

Bebianno disse que não haverá diálogo com PT, Psol e PCdoB. Acha difícil a comunicação com o PDT, partido de Ciro Gomes, candidato derrotado no primeiro turno, mas vê a possibilidade de conversar “com um ou outro” pedetista. “A gente pensa menos no partido e mais em pessoas”, disse ao jornal.

Para o dirigente, as manifestações de integrantes da legenda que pretendem disputar a presidência da Câmara são legítimas, mas ele considera saudável que o presidente da Casa não seja do PSL. “Com muita concentração de poder, na presidência da Câmara o partido acabaria se confundindo com a presidência do Executivo”, argumenta. Segundo o político, o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, seria um bom nome para seguir no cargo.

Bebianno também falou sobre as prioridades do governo, caso Bolsonaro se eleja. Mencionou o combate à violência e a redução da maioridade penal de 18 para 17 ou 16 anos. Em outro momento, negou a intenção, manifestada durante a pré-campanha pelo candidato do PSL, de aumentar o número de ministros do STF. Mas afirmou que a maneira de o Supremo funcionar precisa ser discutida. “Por que o tabu?”, questionou. E completou: “Isso precisa ser pensado pelo próprio Judiciário. Agora, de forma alguma há o desejo do Executivo de impor qualquer alteração do Judiciário”.

Em relação às minorias, o dirigente do PSL definiu o pensamento do partido: “Não compete ao Estado se meter na vida privada das pessoas. Tem que se meter o menos possível na vida de cada um. O que não concordamos é com o excesso de poderes para minorias. Todos são iguais perante a lei. Todos são merecedores de respeito, proteção física e moral. Certas divisões enfraquecem a sociedade e dificultam o convívio harmônico”.

O político também comentou sobre questões trabalhistas. Disse que o 13º salário e as férias são garantias que têm que ser mantidas, mas que é preciso rever “a forma ineficiente que o governo administra o FGTS”. (Congresso em Foco)