O governo da Rússia reiterou nesta terça-feira (23/10), que rejeita romper o Tratado de Armas Nucleares Intermediárias (INF, na sigla em inglês) com os Estados Unidos sem que haja uma alternativa para um novo acordo sobre a mesa, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

“Sem dúvida, há pontos fracos (no tratado), mas a ruptura do acordo quando não existe sequer uma minuta de um novo compromisso é algo que certamente rejeitamos”, afirmou Peskov em entrevista coletiva.

Além disso, o porta-voz da presidência russa ressaltou que não há perspectivas para um novo tratado no futuro próximo, por isso é perigoso rompê-lo.

“O mais importante agora é entender se é possível ou não” negociar um tratado novo, disse Peskov, que acrescentou que “denunciar o tratado primeiro e depois falar da hipotética possibilidade efêmera de assinar um novo documento é uma postura extremamente perigosa”.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou no último fim de semana sua intenção de sair do INF, que foi assinado em 1987 com a antiga União Soviética, acusando os russos de terem violado o mesmo.

Além disso, Trump advertiu ontem que os EUA continuarão fortalecendo seu arsenal atômico e acusou a China e “outros” países de fabricarem armas nucleares intermediárias, dando a entender que o INF ficou obsoleto.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, receberá hoje o assessor de segurança nacional da Casa Branca, John Bolton, que na segunda-feira já se reuniu com seu equivalente russo, Nikolai Patrushev, e com o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov.

Bolton também se encontrou hoje com o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoygu, com quem abordou o futuro do INF e a dúvida que existe em torno da vontade dos EUA de renovar ou não o Novo Start (START III), que expira em 2021, além de uma série de temas relacionados com a segurança internacional, como o Oriente Médio e o Afeganistão.

O assessor de segurança nacional da Casa Branca também informou que as conversas com a Rússia sobre a Síria são bem-sucedidas, de modo que espera ampliar o diálogo, como foi decidido em julho por Trump e Putin na reunião em Helsinque, na Finlândia.

Shoygu, por sua vez, disse a Bolton que espera que as negociações “impulsionem a estabilização das relações” bilaterais e lembrou que militares russos e americanos mantêm contato na Síria, o que, por enquanto, é “o único exemplo positivo” de uma cooperação eficaz entre os dois países, que permite evitar “graves acidentes no espaço aéreo do território sírio”.

“Em outros âmbitos precisamos de um diálogo mais ativo e acredito que hoje podemos discutir essas questões”, disse o ministro russo.

Bolton também qualificou de “bem-sucedidos” os contatos entre os militares russos e americanos na Síria e se disse confiante de que a reunião com Shoygu possa “ampliar este diálogo e falar de outros assuntos”. (EFE)