A Turquia anunciou neste sábado que continua com suas investigações sobre o desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi e que revelará as suas próprias conclusões, depois que a Arábia Saudita ofereceu sua versão oficial, na qual o repórter teria morrido em uma briga dentro do consulado do reino sunita em Istambul.

“Estamos fazendo nossa investigação independente. Revelaremos as nossas conclusões. Esta é a vontade do presidente”, anunciou em Istambul Ömer Çelik, porta-voz do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, segundo o jornal “Hürriyet”.

O porta-voz acrescentou que esperará as conclusões da investigação turca para avaliar a explicação dos fatos apresentada pelas autoridades sauditas.

Segundo a Procuradoria Geral da Arábia Saudita, Khashoggi morreu de forma violenta, mas acidental, em um “enfrentamento físico”, uma “briga” que aconteceu por causa das conversas que ele manteve com as pessoas que o receberam no consulado no último dia 2.

“Não culpamos ninguém por antecipado, mas não estamos dispostos a manter nada encoberto (da investigação). É um acontecimento muito grave”, ressaltou Çelik.

Por outro lado, a deputada do AKP Leyla Sahin Usta criticou a explicação de Riad, que, segundo ela, chegou muito tarde, informou a agência turca “Anadolu”.

“Teria sido conveniente que os sauditas anunciassem (os detalhes de) este incidente com (maior) antecipação. Isto é uma grande vergonha para a Arábia Saudita e para todo o mundo”, disse a legisladora.

“Como resultado da investigação das autoridades turcas, o Ministério Público da Turquia tem algumas provas” que “serão reveladas em breve”, acrescentou a deputada.

Em um primeiro momento, Riad tinha afirmado que o jornalista tinha saído vivo da sede diplomática em Istambul, rejeitando as acusações de que ele teria sido assassinado dentro do recinto.

A versão saudita contrasta com a dos veículos de imprensa turcos e americanos, que, com base em supostas provas que estariam em posse das autoridades turcas, indicam uma execução brutal e planejada de Khashoggi, executada por agentes sauditas próximos do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que viajaram para Istambul no mesmo dia 2 de outubro.

As autoridades turcas, no entanto, não confirmaram oficialmente as informações que circularam na imprensa até agora.