O embaixador da Venezuela na Organização dos Estados Americanos (OEA), Samuel Moncada, rotulou como “intervencionista” o Grupo de Trabalho sobre a migração venezuelana cuja criação foi ordenada pelo secretário-geral do organismo, Luis Almagro.

“É um grupo intervencionista, contrário à vontade da Venezuela”, declarou Moncada em entrevista à imprensa depois da realização de uma sessão extraordinária do Conselho Permanente na sede do organismo, em Washington.

Depois desse Conselho, Almagro anunciou a criação de um Grupo de Trabalho que estará dirigido pelo ex-prefeito venezuelano David Smolansky, do opositor partido Vontade Popular, e que terá duas missões principais: elaborar um relatório sobre a migração de venezuelanos e captar fundos.

A criação do Grupo de Trabalho é uma iniciativa da Secretaria Geral da OEA e, portanto, os países-membros do organismo não fazem parte desse ente.

Por sua vez, Moncada garantiu que a iniciativa procura “impor” a criação de um “canal humanitário” na Venezuela.

“Trata-se de impor um canal humanitário contra a soberania do povo venezuelano e gerar uma crise de caráter de segurança como já a estão catalogando. Estão criando uma narrativa da Venezuela como Estado fracassado e na qual eles são os salvadores humanitários, que necessitam destruir a Venezuela para salvá-la”, declarou Moncada.

Almagro, no entanto, não disse que o Grupo de Trabalho busque criar um corredor humanitário para dar alimentos e remédios aos venezuelanos, algo que foi proposto por diferentes entidades, desde o parlamento, de maioria antichavista, até os 14 países do Grupo de Lima, passando pela comissão opositora que participou de um diálogo com o governo na República Dominicana no ano passado.

A Venezuela se negou em várias ocasiões ao estabelecimento dessa via porque considera que facilitaria uma invasão por permitir a entrada de forças militares estrangeiras.

O anúncio sobre a criação de um Grupo de Trabalho aconteceu depois de uma sessão extraordinária do Conselho Permanente da OEA para abordar a crise de migrantes venezuelanos.

A ONU estima que até junho deste ano 2,3 milhões de venezuelanos saíram de seu país, principalmente em direção a Colômbia, Equador, Peru, Chile e Brasil. (EFE)