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A técnica da equipe feminina do Rio Branco, time de futebol do Acre, Rose pediu demissão após o time anunciar a contratação de Bruno Fernandes, conhecido simplesmente por “goleiro Bruno”. O atleta foi condenado condenado e preso em 2010 por planejamento e participação no sequestro e assassinato de Eliza Samúdio.

“Nunca foi e nunca será só futebol”, escreveu a técnica Rose Costa nas redes sociais. Bruno está desde o ano passado cumprindo pena em regime semiaberto.

Costa treinava a equipe feminina do time e afirmou que entendia a decisão da direção no sentido de tornar o time competitivo, mas não poderia continuar.

No seu perfil do Instagram, a técnica anunciou a saída e justificou a decisão. “Preciso respeitar a minha história e minhas crenças de que educamos pelo exemplo, e no esporte de rendimento, atletas são figuras públicas, e socializam e influenciam comportamentos”, escreveu. “Meu humilde entendimento é que essa oportunidade dada ao Goleiro Bruno, em nossa amada equipe, legitima a ineficiência das leis em nosso país, socializa ainda mais a impunidade aos feminicidas e por fim, macula a imagem de nossa equipe”, completou.

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Informo que à partir desta data ME DESLIGO da função de técnica/treinadora do RIO BRANCO Futebol Clube FEMININO, motivo: a contratação do Goleiro Bruno para compor o elenco da equipe masculina do nosso ESTRELÃO. Quero aqui esclarecer que entendo o momento por qual passa o Rio Branco e a grande maioria dos clubes de futebol acreanos, as dificuldades financeiras como também a oportunidade da contratação do Goleiro Bruno, bem como, ainda, a sua “boa” intenção, no sentido de tornar a equipe competitiva e forte. Deixo minha gratidão pela oportunidade, mas preciso esclarecer também que minha história de vida como mulher e profissional me impendem de permanecer no Rio Branco. Como disse, não questiono e nem tampouco julgo suas decisões, mas preciso respeitar a minha história e minhas crenças de que educamos pelo exemplo, e no esporte de rendimento, atletas são figuras públicas, e socializam e influenciam comportamentos, e meu humilde entendimento é que essa oportunidade dada ao Goleiro Bruno, em nossa amada equipe, legitima a ineficiência das leis em nosso país, socializa ainda mais a impunidade aos feminicidas e por fim, macula a imagem de nossa equipe, pois o crime orquestrado por ele é reconhecidamente hediondo, e isso não deve ser personificado na função de atleta de rendimento do nosso clube que tem uma história linda na construção de grandes atletas que são espelhos para toda a nossa juventude e sociedade. Entendam: NUNCA FOI E NUNCA SERÁ SÓ FUTEBOL!!

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Em entrevista ao Uol, a treinadora afirmou que soube da contratação de Bruno por meio da imprensa. “Tenho obrigação de ser um exemplo para as minhas atletas, e esse é o melhor exemplo que posso dar. Estou com a consciência tranquila”, disse.

Após a repercussão da publicação, Costa ainda fez um novo post comentando sobre como o acontecido a fez perceber “a perpetuação da discriminação da mulher no cenário futebolístico”. “Ser mulher e ser profissional, em qualquer área, aqui especificamente no futebol tem conotação de ‘menos’. Menos capacidade, menos experiência, menos qualidade, menos liderança. Quando na verdade o que se tem é menos oportunidade”, afirmou.

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Eu não tenho problema em ser mulher… Prazer, sou Rose Costa, profissional de Educação Física, CREF 183-AC, especializada em gestão e planejamento, professora concursada do estado do Acre (30 anos de efetivo exercício), TREINADORA de futsal e futebol, ex-atleta de futsal, e sou MULHER. Isso te incomoda?? Após a publicação do meu desligamento do Rio Branco Footbol Clube, como TÉCNICA da equipe feminina, confesso que a princípio me surpreendeu a velocidade com que a notícia se socializou e com a quantidade de carinho que recebi expresso em mensagens, post, compartilhamentos, telefonemas e outros, os quais sou imensamente grata. Mas um fator me chamou a atenção: a perpetuação da discriminação da mulher no cenário futebolístico. A impressão que tive foi o retorno a 1.941, onde as mulheres não deveriam praticar esportes que não fossem adequados a sua natureza. E obviamente, o futebol não se enquadrava nessa máxima de “natureza feminina”. Quando ontem finalizei afirmando que “nunca será só futebol”, apesar de fazer uma ideia do impacto que essa afirmativa causaria, positivamente; é do meu gene ver positividade em toda e qualquer situação, a dimensão dessa afirmativa se fez real através das milhares de mensagens de apoio e sororidade recebidas por mim, e reforço aqui minha gratidão. Mas também, as várias “outras” mensagens recebidas, encaminhadas, publicadas, comentadas sobre quem eu sou, e acima me apresento para que não haja mais dúvidas. Sobre minha decisão, e esse arbítrio eu não abro mão, é meu o poder de decidir sobre minha vida pessoal e profissional, onde, quando e com quem desejo estar e trabalhar, e creiam, sobre o fato de eu ser MULHER. Demorei horas para compreender, em que se pese que estamos no século XXI, que para grande maioria da sociedade; sociedade esta composta por 51,6% de mulheres, ser mulher e ser profissional, em qualquer área, aqui especificamente no futebol tem conotação de “menos”. Menos capacidade, menos experiência, menos qualidade, menos liderança. Quando na verdade o que se têm é menos oportunidade, menos remuneração, menos reconhecimento, menos estrutura, menos VALORIZAÇÃO e infelizmente MAIS DISCRIMINAÇÃO.

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