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Embalado por seu sucesso no Corinthians e pela ótima campanha nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, Tite sobreviveu na seleção brasileira apesar da eliminação nas quartas de final do Mundial.

Um ano depois, já distante do prestígio que exibia ao embarcar para a Rússia, ele busca conquistar seu primeiro título com a seleção e recuperar o crédito perdido.

Ainda que a campanha tenha tido seus sobressaltos e vaias, vencer a Copa América daria força ao técnico, sobretudo com uma taça erguida sem a presença de Neymar, cortado por contusão.

Já um fracasso na decisão contra o Peru, às 17h (de Brasília) deste domingo (7), no Maracanã, pode ser o fim da linha para o técnico e para alguns de seus comandados.

Diante da pressão de triunfar em casa, especialmente após o fracasso na Rússia, Tite decidiu retardar a renovação do grupo. O planejamento estabelecido fala em “miniciclos” até 2022, ou seja: a prioridade é ganhar agora e deixar a próxima Copa do Mundo para depois.

Mantido o elenco atual até a disputa no Qatar, os atletas teriam em média 30,7 anos no Mundial, o que significaria a maior marca do Brasil em toda a história do Mundial. Esse número provavelmente será reduzido ao longo das próximas três temporadas, com ou sem Tite, mas ilustra a ideia de que se deu preferência ao curto prazo.

O setor mais velho do time é a zaga. Do quarteto defensivo que começou a Copa América como titular, só Marquinhos, 25, tem menos de 33 anos. A proteção à meta de Alisson e ao emprego do comandante funcionou até aqui, e a seleção chega à final com a marca de nenhum gol sofrido em cinco jogos.

Tite, é verdade, não ficou só nas caras conhecidas. Se preferiu, por exemplo, convocar Willian, 30, quando Neymar se machucou, deu espaço a atletas como Arthur, 22, peça-chave no meio-campo, e Everton, 23, atacante que acabou ficando com a vaga de Neymar no time titular e se tornou o xodó da torcida verde-amarela.

Agora, é preciso que essa mescla dê resultado. Mesmo após o triunfo por 2 a 0 sobre a Argentina na semifinal, voltaram a surgir notícias de que o gaúcho pode estar de saída da equipe nacional.

A CBF cumpriu a praxe de manifestar sua confiança no comandante, que chegou a ter o nome vaiado antes da vitória no clássico de terça-feira (2), mas essas supostas garantias costumam assegurar muito pouco.

“Tem que ter um mínimo de respeito”, afirmou o volante Casemiro, em defesa do chefe. “Os números falam por si. Um treinador que está há três anos no cargo e tem mais de 80% de vitórias merece um pouco de respeito. Cada um tem sua cabeça e pode falar o que quer, mas ele é um cara vitorioso e, como falei, merece respeito.”

O respeito crescerá no caso de um título conquistado diante de situações inesperadas, que já começaram a aparecer na preparação.

O que deveria ter sido um período tranquilo de treinamentos na Granja Comary, em Teresópolis, virou um turbilhão com uma acusação de estupro contra Neymar e a presença recorrente da Polícia Civil no CT da seleção.

No primeiro amistoso, no mesmo dia em que Najila Trindade concedeu uma entrevista narrando detalhes do suposto estupro, o atacante sofreu uma lesão no tornozelo direito e foi cortado.

Esse não foi o único problema médico registrado no time, que teve até um caso de caxumba com o atacante Richarlison. Lesionado, Willian está fora da decisão.

Apesar das dificuldades, o anfitrião da Copa América carregou o favoritismo desde seu primeiro passo na competição e foi confirmando essa condição, com maior ou menor dificuldade.

A melhor apresentação foi ainda na primeira fase, diante do Peru, uma goleada por 5 a 0 que afastou as vaias e consagrou Everton, cujo apelido, Cebolinha, foi gritado pelos torcedores em São Paulo.

Àquela altura, parecia improvável um reencontro com os peruanos, que se classificaram com o terceiro lugar do Grupo A e cresceram. No mata-mata, surpreenderam o Uruguai, vencendo nos pênaltis após empate sem gols, e derrubaram com autoridade o bicampeão Chile: 3 a 0.

“No futebol, as coisas são muito rápidas. A gente encontrou a seleção peruana em uma situação e hoje encontra em outra, completamente diferente. Temos trabalho pela frente”, disse Marquinhos. “Vai ser outra partida. Talvez as pessoas esperem que a gente chegue lá e faça o resultado, mas vai ser diferente”, afirmou Everton.

Nem tão diferente, espera Tite. Não há necessidade de nova goleada no Maracanã. Bastará uma vitória que dê à seleção seu primeiro título continental após 12 anos de fracassos na Copa América.

Para isso, o técnico gaúcho deverá repetir a escalação adotada no triunfo sobre os argentinos, na semifinal.

Filipe Luís já está recuperado do problema muscular que o incomodava, mas dificilmente seu elogiado substituto na lateral esquerda, Alex Sandro, voltará ao banco.

Marquinhos, que precisou deixar o último jogo por um mal-estar decorrente de virose, está confirmado. (Folha de S.Paulo)


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