Fotos: Robervaldo Rocha
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A Câmara Municipal de Manaus (CMM) tem intensificado o resgate da história de pouco mais de 100 anos do poder legislativo e, após oito meses de atividade na gestão do presidente Joelson Silva  (PSDB), 45, já apresenta bons resultados para reformulação, ampliação e modernização do Memorial da casa, Carlos Zamith. O trabalho é baseado em pesquisa de fatos e catalogação de fotos, documentos, áudios e vídeos, cujo acervo está em fase de digitalização e ficará à disposição do público, por meio de todas as redes sociais da CMM, até o fim de 2020.

Até o momento, aproximadamente 3 mil fotos já foram reunidas e, de quase 300 itens diversos, 60 vídeos estão editados. A ação é executada pela Comissão de Recuperação do Acervo Histórico do Legislativo Municipal – que foi criada em 2013 e que este ano ganha continuidade – e abrange desde a primeira até a 17ª Legislatura.

Entre os assuntos pesquisados estão as diversas histórias dos ex-presidentes da CMM, que deram nome a praças e museus da cidade de Manaus. A comissão trabalha, ainda, na atualização das placas, onde serão inseridos os suplentes que assumiam como vereadores em cada legislatura, com fotos e QR Code (código de barras), para melhor acessibilidade da população.

O trabalho também faz uma viagem pelo funcionamento da antiga sede (na Sete de Setembro), nos móveis utilizados à época, nas medalhas concedidas a autoridades pela Câmara, além de realizar um levantamento completo do patrimônio histórico, com prioridade nas ruas e o Centro Histórico da capital amazonense.

“São oito meses de muita luta e dedicação, que nos dão a certeza de que estamos realizando a coisa certa, no sentido de resgatar a história da nossa Câmara e do que ela já proporcionou e ainda irá proporcionar para a população manauara”, destacou Joelson Silva.

O acervo da CMM encontra-se dentro do arquivo central da Câmara e o objetivo do projeto de reestruturação é trazê-lo para dentro do memorial ou o memorial para dentro do arquivo, que é o local ideal para guardar e armazenar o produto, de acordo com o coordenador da comissão, Dorval Mendes, 56.

“Todo acervo coletado e pesquisado vai para o arquivo central da Câmara, que recebe um tratamento para conservação dos mesmos. Nesse arquivo central temos livros escritos à mão, histórias riquíssimas de tudo o que a gente conseguiu resgatar, que estava no porão da antiga sede. Muitas fitas de vídeo e áudio que estavam quase perdidas, são resgatados de forma responsável”, ressaltou Dorval.

Entre os fatos curiosos e relevantes está o registro da primeira representante amazonense a conquistar o Miss Brasil e que, por pouco, não foi Miss Universo, no ano de 1957 (terminou em segundo): Terezinha Morango.

Atividades

Dentre as atividades executadas pela comissão estão a recuperação, catalogação, digitalização, pesquisa e disponibilização ao público interessado de todo acervo histórico e cultural do poder legislativo local. Tais ações recebem o apoio direto do Cerimonial da casa legislativa, com levantamento de informações referentes a medalhas e os decretos de sua criação, que foram outorgados no decorrer dos anos; informações relativas a biografias de todos os presidentes que passaram pela casa, e fatos relativos aos prédios antigos da CMM.

Painel 

Em relação à escolha das fotos para o acervo do Memorial, a comissão tem utilizado um painel provisório, que existe desde a criação do espaço na CMM, expondo as fotos que serão selecionadas, escaneadas e digitalizadas. Esse mesmo painel, não faz parte do trabalho da comissão, serve apenas de apoio para a seleção das imagens que irão compor o acervo, para que tanto os servidores quanto os visitantes relembrem momentos e ajudem a identificar os fatos fotográficos históricos.

O material espalhado no painel, – colocado na área do Memorial por falta de espaço – é trocado quase que diariamente. A maioria das fotos vem com grude na parte de trás, por ter sido retirada de álbuns dos familiares, por isso, elas são colocadas gradativamente para serem selecionadas, sem prejuízo à qualidade das imagens.

Após o processo de digitalização, o material é devolvido às pessoas que, de forma voluntária, colaboram com o trabalho, entre historiadores, amigos e familiares de ex-presidentes e ex-vereadores.

Raimundo Sena, cuja obra é selecionada pela própria filha, Helen Fernandes Sena (servidora efetiva da CMM), é um deles. O ex-vereador foi presidente da Câmara de 1979 a 1980, e assumiu a Prefeitura de Manaus, no lugar do prefeito exonerado Jorge Teixeira – conhecido popularmente como Teixeirão – onde permaneceu até a nomeação e posse do economista José Fernandes, em 2 de abril de 1979.

Detentor de um acervo grande de fotos, livros e atas, Raimundo Sena também  tem acesso ao material do ex-jornalista, ex-cronista esportivo e também ex-vereador Carlos Zamith, que leva o nome do Memorial. A maioria já foi digitalizada pela família Zamith, após a morte do patriarca, em 2013.

Outro colaborador é o ex-presidente Carrel Benevides (PMDB), que está com um projeto em que reúne ex-presidentes e ex-prefeitos de Manaus, numa atuação em junto com o Memorial.

Memória Viva

Outro trabalho executado pela comissão refere-se ao projeto Memória Viva, que vai ser transformado num programa, com a missão de reunir ex-presidentes e ex-vereadores para falar de suas experiências, pessoalmente, no espaço do memorial. Um dos principais produtos gerados pelo trabalho da comissão desde sua criação em 2015 trata-se também de uma exposição que apresenta gravações de sessões plenárias antigas, fotos do plenário em sedes antigas (com históricos personagens da política local), bem como máquinas manuais que eram utilizadas nas atividades da CMM, assim como fotografias da Manaus Antiga.

O Memória Viva em breve será realizado novamente com base no trabalho atual da comissão.

“Esse projeto fechará o trabalho da comissão com uma grande exposição”, disse Dorval Mendes.

Divisão

O trabalho da comissão é dividido em cinco equipes. O coordenador e a secretária são os responsáveis por coletar e organizar as pesquisas.

Cada equipe conta uma parte da história do que é pesquisado, para não haver problema de fidedignidade nas informações, de acordo com o coordenador.

Outro integrante da comissão, Antônio Almeida dos Santos, o Totó, 58, é um dos que organizam os documentos e fotos históricas, sempre após o expediente de trabalho. Há 15 anos na casa, esse servidor efetivo não mede esforços para realizar o trabalho que, para ele, é de vital importância.

“A gente vai escolhendo o material por data, verificando cada época registrada, para não haver nenhuma situação que destoe das informações na hora de selecionar”, explicou.

As reuniões da comissão ocorrem, em regra, sempre as segundas-feiras, geralmente, após o expediente normal da CMM.

“É uma missão difícil. Estou há cinco anos à frente da comissão e sei como é. Por exemplo, nós temos um acervo que nos foi repassado antes da morte do ex-vereador Milton Cortez, que foi o propositor da cassação do ex-prefeito Manoel Ribeiro. É uma situação relevante que, como todas os outras, precisa ser catalogada de forma séria e responsável. Necessita de pesquisa, de averiguação dos fatos, para se fazer as coisas de forma responsável. O memorial tem cumprido suas etapas. Só que só podemos divulgar depois de todo o acervo pesquisado, catalogado, e certificado de que é realmente verídico”, observou Dorval Mendes.


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