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Uma equipe do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) prestigiou, nesta quinta-feira, 3, uma série de apresentações de alunos indígenas e não indígenas da Escola Municipal Professora Francisca Campos Corrêa, localizada no Ramal do Cetur, no Tarumã, zona Oeste. A atividade teve como proposta a integração sociocultural, por meio da arte e do esporte.

A gestora da escola, Káthia Vasconcelos, informou que os alunos das etnias kokama, miranha, sateré mawé, baré, tikuna, tukano e os não indígenas ensaiaram durante três dias para a apresentação das peças teatrais. “O processo de adaptação das peças foi feito pelos professores que trabalharam os conteúdos e junto aos alunos construíram as peças com a temática amazônica”.

Em maio deste ano, o Unicef, em parceria com a Sony Corporation, levou para a comunidade escolar a exposição “Um olhar diferenciado por meio da fotografia”, feita por jovens de municípios do Alto Solimões. Depois de conhecer os projetos da escola, que unem o esporte e a arte, a equipe retornou e trouxe o jornalista do escritório de Nova Iorque (EUA), Kent Page, para registrar e divulgar como a cultura indígena é transmitida na escola.

“Estou aqui hoje para conhecer o trabalho dos professores e dessas crianças que integram o esporte e a arte para a melhoria da educação. O esporte é muito importante porque possibilita que as crianças brinquem e trabalhem juntas, o que ajudará muito na vida escolar e também quando elas crescerem. Nós acreditamos que o esporte, a arte e a educação é um meio muito poderoso para a mudança de vida dessas crianças”, declarou o jornalista Kant Page.

O coordenador da Unicef na Amazônia Legal, Unai Sacona, comentou sobre a satisfação em participar e conhecer mais sobre os projetos. “Procuramos boas iniciativas na região e encontramos essa escola que utiliza o esporte e o teatro como forma pedagógica. Viemos hoje para conhecer um pouco mais do trabalho e também para fazermos algumas pautas de comunicação. Queremos mostrar para o Brasil e para o mundo o que acontece aqui. Acreditamos muito nisso”.

Apresentações

Durante a manhã, todos os alunos participaram da dinâmica “Copa do Mundo no Francisca Campos”. Os estudantes do 8º e 9º ano apresentaram peças teatrais e os alunos do Ensino Infantil apresentaram as músicas “Crianças do mundo inteiro” e “Salve meu futuro”.

Igor Gabriel Matos, 13, narrou a peça “As meninas e a figueira”, encenada pelos alunos do 8º ano. Inspirado na obra do pesquisador brasileiro Câmara Cascudo – A moça da figueira – o professor de Igor, José Hadad, adaptou a história para que os estudantes a apresentassem.

“As meninas e a figueira” conta a história de duas meninas que são maltratadas pela madrasta e sofrem muito na mão dela. Quando o pai viaja, essas meninas são enterradas vivas no jardim. Depois, o pai volta de viagem e consegue salvar as meninas e a madrastra morre de um colapso nervoso”, contou Igor.

Já os alunos do 9º ano encenaram, em inglês, uma versão do romance Romeu e Julieta indígena. A aluna Samantha Souza da Silva, 14, interpretou Juliet Tupinambá, que se apaixonou por um índio da tribo inimiga, Romeu Manaó.

“Fizemos uma adaptação utilizando as tribos indígenas e interpretamos em inglês. Foram só dois dias de ensaio, mas conseguimos nos sair muito bem. Estou muito feliz e pensando em seguir a carreira de atriz”, contou a aluna, que interpretou a segunda peça de William Shakespeare na escola.


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