Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Construída sobre metáforas numa leitura subjetiva ao espectador sobre alguém que deseja não aceitar o que o outro impõe como afeto para não assumir as rédeas da vida é a proposta do novo espetáculo do Ateliê 23, “Vacas Bravas”, que estreia no dia 12 de julho, às 20h, na sede da companhia (Rua Tapajós, 166, Centro). A produção ficará em cartaz todas as sextas-feiras e sábados até o fim de agosto.

Os ingressos ficarão disponíveis na bilheteria da casa por R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia entrada para artistas, estudantes, idosos e portadores de necessidades especiais). Todas as sextas-feiras estudantes que apresentarem comprovante estudantil pagam R$ 5 enquanto quem levar dois amigos pagantes, terá ingresso gratuito.

Segundo o diretor e ator Taciano Soares, a questão da metáfora começa no nome do espetáculo, que se dá a partir do significado de vaca brava em Portugal.

“Dá-se o nome de vaca brava à fêmea do touro enquanto a fêmea do boi chama-se vaca mansa. É a vaca mansa, então, o modelo de vaca leiteira que o homem transformou num mero produto de consumo, como se esse fosse o único motivo pelo qual as vacas existem. A partir disso, o eu-lírico da cena deseja ser vaca brava, alguém que não aceita seu destino de vaca leiteira, que não deseja ser simplesmente uma vaca mansa”, explica Taciano. “O espetáculo acontece em três territórios: o da mãe, do afeto e do artista, que são apontados em cena com desenhos no próprio cenário como, respectivamente, o que é grande e a gente não alcança, o que ocupa muito espaço na gente e o que é difícil ficar. ‘Vacas Bravas’ é o desejo sublime por algo bom, é sobre não aceitar o que é imposto, é tentar e falhar, mas continuar tentando”. 

Produção

O Ateliê 23 produz, todos os anos, uma ou duas novas obras de teatro ou dança. “Vacas Bravas” é a primeira estreia de 2019, o processo de preparação e montagem aconteceu em dois meses, maio e junho.

“Foi bastante rápido, mas intenso e suficiente para desenvolvermos esse conceito, quase filosófico, sobre o trabalho. Isso se dá pelo nosso movimento natural de estarmos sempre em processo”, comenta o diretor do espetáculo. “Não dá para negar que a obra acaba por ser autobiográfica em várias camadas, como tem sido a investigação do Ateliê 23 nos últimos anos”.

Elenco renovado

A peça conta com cinco atores no elenco. Além de Taciano, que também assina o cenário e divide a direção e dramaturgia com Jean Palladino, estão em cena Ítalo Rui, que já trabalhou em duas produções da companhia como “O Arquiteto e o Imperador de Assíria” e “Fando e Lis”; Diego Bauer, da Artrupe Produções; Jôce Mendes, atriz experiente que atua pela primeira vez no Ateliê 23; e Julia Kahane, que está de volta a Manaus após formação na Casa das Artes de Laranjeiras, do Rio de Janeiro.

“A renovação no elenco da companhia é algo que instiga muito o grupo, visto que novas pessoas movem todos os artistas que fazem parte do coletivo a repensarem metodologias, modelos de trabalho e inspirações”, destaca Taciano. “O resultado revela uma cena com novo vigor, a fim de atravessar emocionalmente o espectador, como é um dos objetivos do grupo a cada novo trabalho”.

Na ficha técnica, “Vacas Bravas” conta com assistência de direção de Isabela Catão, figurinos de Eric Lima, responsável ainda pelo lettering e design gráfico, e Laury Gitana, que também está na operação de luz e cenotécnica com Wilas Rodrigues, operador de som; iluminação de Daniel Braz e Priscilla Lima, trilha sonora de Number Teddie e colaboração de Clara Monteiro, carimbos de Turenko Beça, confecção de figurino de Helena Oliveira, provocação corporal de Viviane Palandi e estágio de Paulo Tiago.  


Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •