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Com os seguidos impedimentos promovidos pelo prefeito carioca Marcelo Crivella, de não autorizar profissionais do Grupo Globo de participar de ações fundamentais ao exercício do jornalismo, como integrar coletivas de imprensa e receber informações de dados oficiais, William Bonner falou no Jornal Nacional sobre a “atitude autoritária” de Crivella.

No caso, o prefeito do Rio de Janeiro vetou jornalistas da Globo de acompanharem o evento em que foi anunciado o socorro federal de 152 milhões de reais à saúde da cidade. Todo tema de caráter público precisa ser reportado aos verdadeiros chefes dos políticos, a população. A saúde, uma das questões mais essenciais do bem-estar social, não foge à regra.

“O prefeito Marcelo Crivella impediu a participação de jornalistas do Grupo Globo em uma entrevista sobre o colapso no sistema de saúde do município. É um tema que tem um impacto grande na vida dos cidadãos e, obviamente, merece cobertura jornalística ampla, como nós temos feito. Apesar desta atitude autoritária e antidemocrática do prefeito, o jornalismo da Globo está publicando tudo que de mais importante foi anunciado ali. Porque o nosso compromisso é de manter o público bem informado”, disse o âncora do telejornal durante o Jornal Nacional.

Eleito com a promessa de “cuidar das pessoas”, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), anda precisando muito dar um trato na própria imagem. À frente de uma gestão altamente impopular, Crivella agora está envolvido em investigação do Ministério Público fluminense sobre a existência de um “Q.G. da propina” dentro da prefeitura. A revelação de mais um rolo na sua avantajada lista, em que constam dois pedidos de impeachment, ruas abandonadas, caos nos hospitais e obras paralisadas, cola no bispo licenciado da Igreja Universal o pecado da corrupção que ele sempre disse abominar e acontece justamente quando Crivella prepara o terreno para tentar a reeleição no ano que vem.

A apuração do MP gira em torno de um suposto esquema de suborno para beneficiar empresas interessadas na liberação de pagamentos atrasados. A troca de favores apareceu na delação premiada do doleiro Sérgio Mizrahy, preso pela Lava-Jato do Rio em 2018. Segundo ele, o operador do “negócio” na administração carioca seria o empresário Rafael Alves, homem de confiança de Crivella desde a campanha eleitoral de 2016, quando atuou como captador de doações. O irmão dele, Marcelo Alves, foi nomeado pelo prefeito para a presidência da Riotur. Os procuradores confirmam que Crivella é um dos alvos da investigação, ao que tudo indica por causa de sua proximidade com o operador.

Ao saber que a denúncia seria publicada pelo jornal O Globo, Crivella se antecipou e divulgou nas redes sociais da prefeitura um vídeo em que acusa o jornal de ser um “panfleto político”. Depois da publicação, postou novo vídeo com ofensas aos autores da reportagem. O destempero verbal do ex-bispo, conhecido pelo tom pausado e didático, faz parte de uma das táticas que ele pretende usar para se reeleger: segundo aliados e adversários do prefeito ouvidos por VEJA, a imprensa sempre será seu alvo preferencial quando aparecerem denúncias desabonadoras. Outras estratégias compõem seu arsenal. Uma delas é buscar escancaradamente ligar seu nome ao de Jair Bolsonaro, aproveitando a brecha aberta pelas desavenças do presidente com o governador do Rio, Wilson Witzel — na trilha desse objetivo, Crivella marca presença em toda e qualquer passagem de Bolsonaro pela cidade e anda insistindo para que ele indique o vice de sua chapa em 2020. (veja.com)


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